INTRODUÇÃO

APRESENTAÇÃO DA OBRA

 DA ACTUALIDADE DA OBRA E PENSAMENTO DE DELFIM SANTOS

  A PREOCUPAÇÃO PELO HOMEM

A PREOCUPAÇÃO PELA CULTURA

A PREOCUPAÇÃO PELA FILOSOFIA

O PROJECTO FILOSÓFICO

O EXEMPLO

 

INTRODUÇÃO

Delfim Santos, figura de relevo no panorama cultural português Contemporâneo, deixou-nos uma obra de índole diversa que a edição das Obras Completas(1), por parte da Fundação Calouste Gulbenkian, deixa entrever e permite que o Configuremos como um humanista (no sentido da promoção dos valores humanos), um filósofo, um pedagogo, enfim, um homem de cultura e da cultura.

E no entanto, a sua obra ficou esquecida, nem mesmo tendo servido de estimulo a recolha dos seus estudos na publicação acima mencionada e que deveria ter servido de incentivo a um estudo aturado do seu pensamento. A sua figura ficou, injustamente, esquecida: uma referência aqui e agora ao seu pensamento, quantas vezes apenas de passagem, sem esse trabalho de leitura dos textos numa visão global capaz de dar Conta da real importância do seu legado Cultural.

O seu contributo filosófico é aquele que, em nosso entender, permite Compreender melhor a sua figura, de que iremos traçar o perfil intelectual. Nas Obras Completas surge-nos uma tripla divisão da sua obra, que se reparte por variados sectores que vão da literatura ao cinema, da pedagogia ao direito, da filosofia ao interesse pela ciência, teatro, poesia, mas que em termos de «arranjo», ou se quiser, de arquitectónica se dividem em três grandes temas Homem, Cultura, Filosofia. De facto, podemos considerar que são estes os núcleos centrais, à volta dos quais se organiza o seu pensamento.

Filósofo para quem o «autêntico filósofo não é aquele que se compraz em fazer discípulos, mas em fazer de cada um discípulo de Si próprio» <2), posicionou-se sempre perante o acto filosófico numa atitude de autonomia, de processo libertador. O acto de filosofar, verdadeiramente, não se aprende, antes é uma experiência interior que afecta o eu na sua inte­gralidade. Porém, se invoca certa autonomia na reflexão filosófica isso não significa que enjeite as influências sofridas, quer aquelas enquanto aluno na Faculdade de Letras do Porto, especialmente o magistério de Leonardo Coimbra, quer a sua concepção relativamente às filosofias que se difundiam no estrangeiro, com especial relevo para o contacto estreito com as filosofias de Nikolai Hartmann, Martin Heidegger e Edmund Husserl, relativamente as quais o seu pensamento revela certa filiação.

Conforme refere Francisco da Gama Caeiro, no pensamento de Delfim Santos entrecruza-se a experiência adquirida em Portugal e no estrangeiro(3). Porém, «Filosofia não se ensina e nunca a filosofia fez um filósofo» (4) e isto porque a docta ignorantia que exprime a atitude filosófica por excelência, não é uma técnica que se comunique, antes um dom daquele que sabe meditar no silêncio(5). Esta é a «aposta» de Delfim Santos que guiara constantemente a sua especulação acerca dos dados da experiência que considera dignos de uma interpelação e que acabaram por se constituir como os centros da sua reflexão.

E foi precisamente neste sentido que interpretámos o seu pensa­mento como existencial e não sistemático preocupado em afirmar o estatuto autónomo da filosofia frente a outras áreas do saber, espe­cialmente do saber científico.

Filosofia eminentemente antropológica, Delfim Santos, no entanto, nunca deixa de entrever a abertura metafísica, sendo nesse sentido que José Marinho se refere à sua ontofenomenologia(6)

A esta questão liga-se uma outra, que constantemente ressoa na sua especulação, ou seja, o problema do uno e do múltiplo, perplexidade sempre presente, velho problema que retorna sempre, com o qual Platão e Aristóteles já se tinham debatido, e que no nosso autor surge veiculado pela tematização de um pensamento categorial.

Porém, se podemos falar em abertura metafísica, porque esta está, efectivamente, presente, 550 flâo significa que, na economia da sua obra, a questão antropológica não seja a essencial. Com efeito, é uma sua preocupação constante apontar para uma analítica existencial: a questão da existência coloca com toda a acuidade e da transcendência, mas a sua tematização recai, inequivocamente, em termos fenomenológicos, na sua essência, sobre o sendo, ou seja, o homem na sua situação de ser-aí, o ser-no-mundo que está em comunicação com a <p~'(Ytç, os outros, consigo mesmo. Estar no mundo é relacionar-se, é co-existir: « não ha vida sem co­-existência» (7)

Ser é co-ser, numa atitude livre, dado que a liberdade é fundamento da existência, sendo aqui que se enraíza a possibilidade da angústia se instalar, a partir da tensão existencial, devido ao facto de se abrir ao homem a possibilidade de se realizar autêntica ou inautenticamente.

Neste contexto, apontamos as coordenadas essenciais da sua meditação filosófica, a fim de pôr em evidência a sua concepção de filosofia integral, que se manifesta na tensão entre concreto e universal.

 

 APRESENTAÇÃO DA OBRA
  Delfim Pinto dos Santos nasceu no Porto em 6 de Novembro de 1907 e faleceu em Cascais em 1966.
Em 1931 conclui o curso de Ciências Históricas e Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto com a média final de dezoito valores. Eram professores catedráticos, nesta altura, na referida Faculdade, os professores Newton de Macedo e Leonardo Coimbra, considerando-se Delfim Santos, indiscutivelmente, discípulo deste último (8)
Em 1935 recebe da Junta de Investigação Nacional uma bolsa que lhe permite deslocar-se à Áustria para em Viena estudar com professores de reconhecido valor internacional, como por exemplo, M. Schlick,
K. Buehler. Além disso, e neste ambiente vienense, assistiu a cursos e conferências de E. Husserl, Frobenius, Heisenberg e Piaget.
Em 1936, em Berlim, assiste às lições de N. Hartmann sobre metafísica do conhecimento, que iriam ser decisivas para a sua formação, assim como assiste às lições de pedagogia de E. Spranger.
Em 1937, em Londres, ainda seguindo o plano de estudos que a sua situação de bolseiro implicava, assiste aos cursos de J. Macmurray e trabalha na Aristotelian Society. Em Cambridge seguiu os cursos de Moore e de Broad.
Como relatório e síntese final deste período enquanto bolseiro temos a sua obra Situação Valorativa do Positivismo (1938), onde apresenta uma reflexão acerca da problemática filosófica das ciências, exercendo ai' uma crítica construtiva ao positivismo da Escola de Viena.
Em 1937 regressa a Portugal, mas logo em seguida parte para a Alemanha como Leitor de português na Universidade de Berlim. Aqui, e devido às funções que lhe tinham sido incumbidas, desenvolve uma acção eficaz em prol da cultura portuguesa, com a organização de conferências e trabalhos de seminário, acerca da poesia, da filosofia, dos descobrimentos portugueses, da evolução histórica da literatura portuguesa. Entretanto, nesta sua estada na Alemanha continuou a frequentar os seminários de N. Hartmann, estudando o pensamento de Platão, Aristóteles, Kant, Hegel, Schelling, Kiekegaard e Nietzsche.
Em Friburgo tomou contacto directo com a filosofia de M. Heidegger, que muito o iria influenciar e por essa via estar presente nas suas tema­tizações filosóficas.
Em 1939 apresenta a obra Da Filosofia, reflexão central na sua produção filosófica, determinante para uma caracterização do seu pensamento.
Meditação rigorosa, alimentada no contacto com os textos da fenomenologia e do existencialismo, nela se expressa, vigorosamente, o seu estorço reflexivo.
Em 1940 doutora-se em Portugal, na Universidade de Coimbra, com a apresentação da dissertação Conhecimento e Realidade sendo arguentes da tese Joaquim de Carvalho e Vieira de Almeida. Esta sua obra, conjuntamente com Da Filosofia, é uma das mais significativas para uma compreensão da sua concepção filosófica, e coloca-se na linha de uma filosofia do conhecimento, entendendo a filosofia mais como hermenêutica que como explicação.
Em 1946 apresenta uma dissertação para concurso a Professor Extraordinário da Secção de Ciências Pedagógicas da Faculdade de Letras de Lisboa, a tese Fundamentação Existencial da Pedagogia. Nesta obra procura determinar o fundamento autónomo da pedagogia, já que se atendermos ao que é a História da Pedagogia encontramo-nos perante a dependência metodológica desta última, frente aos métodos das outras ciências. Assim, como modelo pedagógico defende uma pedagogia existencial, concedendo um papel relevante à experiência e à apren­dizagem.
Em 1948 é nomeado Professor Agregado e em 1950 concorre a Professor Catedrático da Secção de Ciências Pedagógicas.
Na introdução à obra de Delfim Santos Da Filosofia, Joel Serrão (9) refere-se à mágoa que aquele sentiu ao longo da sua carreira académica por nunca ter conseguido ser, verdadeira e efectivamente, professor de filosofia, nem no Liceu nem na Faculdade de Letras de Lisboa, onde sempre foi tão-só docente na Secção de Ciências Pedagógicas.
Com efeito, a sua acção no «velho casarão do Convento de Jesus»(10), onde estava sediada a mencionada Faculdade, situou-se sempre no âmbito da Secção de Ciências Pedagógicas. Deste modo, foi responsável, entre 1943 e 1947, como Assistente, pelas disciplinas de História da Educação, Organização e Administração Escolar, Moral, História da Filosofia Antiga. Em 1947 como Professor Extraordinário e mais tarde, em 1948 como Professor Agregado, regeu as disciplinas de Pedagogia e Didáctica, História da Educação, Organização e Administração Escolar (11)
Em 1950, por unanimidade, ocupa o lugar de Professor Catedrático da mencionada Secção.
Eis, em breves traços, os momentos essenciais da actuação académica de Delfim Santos e que, em meu entender, ajudam a uma compreensão do seu itinerano filosófico, da sua aposta na filosofia.
 

DA ACTUALIDADE DA OBRA E PENSAMENTO DE DELFIM SANTOS
 
O valor, ou fecundidade de uma obra, seja ela filosófica, literária ou de outro tipo, mede-se, em parte, pelo poder de actualidade que assume.
No caso do pensamento filosófico, a sua actualidade deriva de uma concepção que, de certo modo, joga com a temporalidade e a intemporalidade da filosofia. Só assim podemos compreender que a leitura de Platão ou de Aristôteles seja, para nós, tão actual como a de um pensador contemporâneo como Paul Ricoeur. A filosofia nega-se a Si mesma quando recusa o seu passado.
De tacto, se a obra de um filósofo deve dar conta do presente, na medida em que este é sempre solidário com o momento epocal em que vive, e nesse sentido faz-se eco dessas preocupações, de qualquer modo, esse presente vem enformado pelo passado, por uma sua compreensão, numa atitude de apropriação pessoal que confere autenticidade à reflexão filosófica, e projecta-se num futuro, pelo poder que possui de dizer alguma coisa, para lá das fronteiras do tempo em que se inscreveu.
Aceitamos, então, a sugestão delfiniana acerca do homem, que nos diz: «Como indivíduo vive no tempo, como pessoa é transtemporal» (12)
Nesse sentido, a razão pela qual valorizamos a tradição filosófica e a inscrevemos numa cultura - pondo em evidência os seus representantes
- ressalta do facto de nos instruírem sobre o passado e, simultaneamente, do poder de compreensão que eles carreiam para o nosso tempo.
Ao filósofo compete a tarefa de dar um contributo - particular é certo
- para a compreensão do homem, dos fenómenos da sua vida interior, bem como do modo como se relaciona com o mundo e com o que o transcende. Assim sendo, a filosofia é sempre um estorço de fundamentação, a partir de um dialogo, de interrogações que têm a sua origem nas perplexidades que se nos apresentam ao longo da existência.
À filosofia e ao filósofo não podemos pedir soluções, ou respostas acabadas, esse não é o seu destino, mas tão-só linhas de realização, caminhos orientadores do pensar e existir, tomando em consideração a situação. Então, a reflexão filosófica é solidária de uma compreensão do homem, na totalidade das suas dimensões, consistindo a tarefa do filósofo em dar um contributo para essa busca do sentido do humano.
Q poder de um pensamento reside na capacidade de ressoar em nós, de um modo vivo, dinâmico, diremos, actual.
O objectivo desta reflexão que, propositadamente, iniciei em tom delfiniano é, de facto, o de procurar mostrar como a obra de Delfim Santos
- figura que todos nós estamos aqui a homenagear- se inscreveu num determinado tempo e espaço, dando conta quer de um presente, quer de um passado e sendo capaz, ainda hoje, de ser uma espécie de luz orientadora para os nossos dias.
Delfim Santos, por direito próprio, pertence à cultura portuguesa - e um dos seus representantes - pela obra que nos deixou e também pela promoção que fez da sua própria cultura, tanto em Portugal quanto no estrangeiro. A sua obra de índole diversa, que a edição das Obras Completas, por parte da Fundaçâo Calouste Gulbenkian deixa entrever<13) permite que o configuremos como um humanista - no sentido da promoção dos valores humanos - um filósofo, um pedagogo, enfim, um homem de cultura e da cultura.
E, pois, a figura do filósofo, do pedagogo e do homem de cultura que iremos evocar, procurando surpreender o ritmo do seu pensamento, a partir da determinação de centros da sua reflexão.
Detenhamo-nos, então, na sua obra, partindo, no entanto, de uma breve referência biográfica, em função do seu itinerário académico (14)
Delfim Pinto dos Santos nasceu no Porto em 6 de Novembro e faleceu em Cascais a 23 de Setembro de 1966.
Em 1931 conclui o curso de Ciências Históricas e Filosôficas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a média final de 18 valores.
Em 1935 recebe da Junta de lnvestigação Nacional uma bolsa que Ihe permite deslocar-se à Áustria, onde estudou em Viena com alguns professores de reconhecido valor internacional, como Schlick. Mas mais relevante é o facto de ai' ter assistido a cursos e a conferências de Husserl, Frobenius e Piaget. Em 1937 vai para Inglaterra como bolseiro onde trabalha na Aristotelian Society.
Como relatório e síntese final, deste período enquanto bolseiro, temos a sua obra SITUAÇÂO VALORATIVA DO POSITIVISMO. Nas palavras de António Quadros, esta obra «É um clássico do pensamento português e permanece um dos seus melhores trabalhos, sólidos na sua sistematização, na sua argumentação, na sua crítica e na metodologia utilizada» <1~>.
Enquanto leitor de português na Universidade de Berlim, desenvolve uma acção eficaz em prol da cultura portuguesa, organizando seminários e  conferências sobre poesia, filosofia, descobrimentos portugueses e evolução histórica da cultura portuguesa.
Durante este tempo frequenta os Seminários de N. Hartmann, em Friburgo entra em contacto com a filosofia de M. Heidegger, que muito o iria influenciar, podendo Delfim Santos ser considerado o introdutor e o vulgarizador (num sentido positivo> do pensamento deste filósofo em Portugal.
Em 1939 apresenta a obra DA FILOSOFIA, que se iria configurar como um marco central da sua produção filosófica, determinante para uma caracterização do seu pensamento. Meditação rigorosa, fruto do seu contacto com os textos da fenomenologia e do existencialismo, nela se expressa, vigorosamente, o seu esforço reflexivo. É nela que nos apresenta, de uma forma não sistemática, a sua peculiar aproximação à filosofia. Nesta sua obra estão patentes aquelas questões que se constituíram como fundamentais para o seu pensamento - de tal modo que pode ser considerada central e essencial para uma hermenêutica da sua posição filosófica, tal como José Marinho e Francisco da Gama Caeiro, muito pertinentemente referiram (16)
Em 1940 defende o doutoramento, na Universidade de Coimbra, com a apresentação de uma dissertação intitulada CONHECIMENTO E REALIDADE, tendo como arguentes Joaquim de Carvalho e Vieira de Almeida. Aqui coloca-se numa linha de filosofia do conhecimento, entendendo a filosofia mais como hermenêutica que como explicação.
Em 1946 apresenta, como dissertação para concurso a Professor Extraordinário da Secção de Ciências Pedagógicas da Faculdade de Letras de Lisboa, a tese FUNDAMENTAÇÂO EXISTENCIAL DA PEDAGOGIA, onde procura determinar o fundamento autónomo da pedagogia. Como modelo pedagógico defende uma pedagogia de base existencial, outorgando à experiência e à aprendizagem um lugar preponderante.
Em 1948 é nomeado Professor Agregado e em 1950 concorre a Professor Catedrático da Secção de Ciências Pedagógicas.
Eis, em breves traços, os momentos essenciais da sua actuação académica e que, em meu entender, permitem uma melhor compreensão do seu itinerário filosófico.
A sua formação pedagógico-filosófica permite que encontremos três centros da sua actuação: cultura, filosofia, pedagogia. Os quais podem ser reconduzidos a uma preocupação comum, ou seja, a preocupação pelo homem.
 
A PREOCUPAÇÃO PELO HOMEM
 
A referência que atrás fizemos ao seu humanismo deriva, de facto, da atenção que confere ao homem, presente tanto na sua obra de carácter filosófico como na de carácter pedagógico. Presente ainda na sua tematização de cultura.
Para Delfim Santos, «(...) a finalidade última da educação - tornar o homem humano» (17) Como refere José Marinho, «(...) no principio, no meio e no fim, a filosofia de Delfim Santos é uma antropologia, ou seja, uma filosofia do homem, uma filosofia do homem no tempo» (18)
Essa humanidade manifesta-se mediante a produção de um certo tipo de acções, sejam elas cientificas, estéticas, morais ou culturais. Quando meditamos sobre o sentido da ciência, ou da arte, ou mesmo de uma acção moral, somos levados a reconhecer que na base, ou antes, como fundamento desta produtividade temos o homem, que se espelha e manifesta nas suas obras.
Porém, a questão mais radical que se coloca é a seguinte: quem é este homem? Ou seja, quem sou eu?
Ao perguntar a mim mesmo por mim mesmo, procuro determinar, mediante uma análise interior, que se projecta no exterior, que o homem é um ser dotado de espiritualidade, que possui espessura interior. Tanto uma obra de arte, como uma descoberta cientifica, ou uma acção de carácter ético, são o resultado da manifestação do elemento espiritual Constitutivo de cada eu.
Há, então, que pôr em evidência a vinculação que existe entre esta diversidade de actos, que manifestam o que o homem é, e a tomada de consciência da produtividade própria do homem, encaminhando-nos, assim, para uma sua compreensão mais radical porque englobante.
 
Nesta preocupação pelo homem inscrevem-se reflexões sobre a pedagogia, sobre a Escola. A propósito de Escola, vejam-se, por exemplo, os seus textos pedagógicos «A Criança e a Escola», «Exames», sobretudo «Formação de Professores», pelo seu carácter de indesmentível actualidade. Este último texto, conferência pronunciada no Liceu Pedro Nunes, dirigida a professores do ensino liceal, nele chama a atenção para o facto de quer a Escola quer o professor deverem estar sempre e em qualquer caso ao serviço do aluno(19), tendo este último direito a ser reconhecido na sua especificidade, em respeito por aquilo que é, de taI modo que a tarefa do professor Consistirá sobretudo em ajudar a que este se desenvolva harmoniosamente. Porém, para que isto seja possível, é necessário que o professor possua uma preparação psico-pedagógica ade­quada (20), a fim de poder - efectivamente - desempenhar cabalmente a sua missão, que pela responsabilidade de tal tarefa deverá, sempre, ser encarada e vivida como vocação
 
A PREOCUPAÇÃO PELA CULTURA
 
Podemos caracterizar a cultura, de um modo muito geral, como o desenvolvimento de certas faculdades do espírito, que se materializam em realizações ou produções do homem.
A cultura, no sentido em que remete para a «(...) acção que o homem realiza quer sobre o seu meio quer sobre Si mesmo, visando uma transformação para melhor» (21), apresenta-se em contraste com aquilo que no homem é natureza. A cultura, de certo modo, refere e tala-nos das obras do homem ao longo da sua história. E diz-nos Delfim Santos, «O homem para ser autenticamente homem e merecer chamar-se "sapiens", não pode esquecer que é um processo binomial entre o passado e o futuro, entre a raiz e a flor» (22) E isto significa que «Não há, portanto, cultura sem tradição» (23) Ela relega os homens entre Si, aproxima-os pelo diálogo que tem o poder de instaurar.
Assim sendo, a cultura testemunha de um processo dinâmico, significativo, atitude de acolhimento de certos valores que se configuram como dotados de sentido: «(...) um belo verso de Sófocles ou de Racine, um trecho de Bach ou de Mozart, uma página de Platão ou de Nietzsche, podem levar o homem do século xx ao encontro de Si mesmo, permitindo­-Ihe a descoberta de valores com actualidade e eficácia sugestiva sobre a sua própria vida» (24),
A cultura é, pois, uma espécie de «atmosfera» que o homem cria e recria, é dinâmica e institui uma relação entre o passado - a tradição, na medida em que nela se inscrevem actos culturais que ilustram as diferentes possibilidades do homem - e o presente, que num diálogo com essas produções é capaz de criar outras formas, outros modos de estar no mundo.
Podemos, então, admitir que não há cultura verdadeira sem uma atenção à tradição e que uma compreensão do presente e sua projecção para lá do momento que se vive, ou seja, sua inscrição no futuro, depende sempre desse dialogo passado ao enformar o presente ajuda a construção do futuro.
Penso que é pertinente, neste momento, determo-nos na expressão «Cultura Portuguesa» e perguntarmo-nos - será Delfim Santos um dos seus elos?
A resposta jâ a demos, sem a fundamentar, mas podemos, agora, encontrá-la no próprio pensamento de Delfim Santos, quando num texto intitulado «Bruno na Cultura Nacional», nos refere que «Não está elaborado, ou sequer esquematizado em moldes admissíveis, a morfologia do que, sem grande precisão, podemos chamar cultura nacional (25), Está aqui presente, implicitamente, uma critica pelo modo reducionista como esta noção de cultura tem sido aplicada. E isto porque, em seu entender, se valorizou, quase exclusivamente e na história da nossa cultura, a poesia, o romance e a historiografia, em detrimento de outros géneros como, por exemplo, a filosofia. E, contudo, esta última também é uma forma cultural.
Delfim Santos, com efeito, é um dos autores que de uma maneira paradigmática chama a atenção para o esquecimento a que os nossos pensadores têm sido votados, tacto que não contribui para uma valorização da diversidade das formas que a cultura portuguesa pode assumir e que assinalam a nossa identidade frente a outras culturas. E ainda hoje esse esquecimento é real, sendo apenas quebrado, relativamente aos nossos filósofos, de quando em quando. Nesse sentido, a sua chamada de atenção para a desvalorização que em Portugal fazemos dos nossos autores permanece actual. Leia-se, por exemplo a primeira e segunda páginas do seu estudo «O Pensamento Filosófico em Portugal», de 1946.
De qualquer modo, há também que reconhecer que hoje, e por via da Escola deixada por Leonardo Coimbra, pela acção de pensadores como José Marinho, Álvaro Ribeiro e Delfim Santos - a filosofia portuguesa tem sido mais escutada, mais valorizada. Não esqueçamos o actual «Grupo da Filosofia Portuguesa» (António Quadros, António Brás Teixeira, entre outros), bem como, neste domínio, a acção pedagógico-filosófica de Francisco da Gama Caeiro.
O tempo veio a dar razão a Delfim Santos, cuja obra, forjada na matriz leonardina e em diálogo com a fenomenologia e existencialismo, reflecte preocupações que, se por um lado dizem respeito ao homem de qualquer lugar e de qualquer tempo, por outro lado trata problemáticas que apenas uma matriz portuguesa poderia ditar e pode explicar, ao nível do fundamento. Como exemplo deste último aspecto temos as suas meditações sobre o pensamento português que ocupam lugar proeminente na economia geral da sua obra. Porém, ao mesmo tempo que valorizava a filosofia portuguesa e a sua tradição, acolhia outras influências, de tal modo que na sua obra cruza influências portuguesas e sobretudo alemãs, instaurando um diálogo entre as potencialidades do modo próprio da filosofia portuguesa se expressar e preocupações exógenas, susceptíveis de a enriquecerem.
A sua obra dá conta daquilo que José Marinho apelida de carácter paradoxal da filosofia, mediante a metáfora da ave, a qual, paradoxalmente, tem asas e tem pernas, ou seja, assegura uma dupla inserção - pelas asAS eleva-se e denota a universalidade da filosofia, pelas pernas enraíza-se no concreto de uma situação. Situação paradoxal porque as asas não anulam as pernas, do mesmo modo que o contrário também não é possível (26)
 
A PREOCUPAÇÂO PELA FILOSOFIA
 
Para Platão a filosofia era concebida como o topo e o coroar das ciências. Ela era o saber por excelência. Como forma de cultura, na Grécia, ela ocupava o lugar da flor. Com efeito, o seu aparecimento está intimamente ligado ao grande desenvolvimento cultural, a filosofia é o reflexo desse desenvolvimento do espirito. Nesse sentido, podemos aceitar a tese de que a maturidade de uma cultura é geradora de pensamento filosófico. E isto porque toda a cultura que aguça a sua sensibilidade elevada a encontrar-se, por intermédio de alguns dos seus representantes, com certas questões que acabam por colocar a necessidade de um saber mais fundamental e totalizante, que dê um horizonte ao homem como projecto, Ihe assegure um sentido para a existência. Diz-nos Delfim Santos:
«Se o homem de hoje sente a responsabilidade da sua missão como obreiro do futuro, essa responsabilidade não pode fundamentar-se no desejo de repetição mecânica do que pertence ao passado, nem no seu total esquecimento (27)
É de uma forma dinâmica que o passado deve ser apropriado, recriado, pelo presente, projectando-se essa apropriação no futuro. A autenticidade desta dinâmica mede-se pela possibilidade de levar o homem ao encontro de Si mesmo, por outras palavras, ter o poder de ressoar, ser uma luz orientadora.
Delfim Santos é, fundamentalmente, um filósofo. Porém, de um modo dinâmico e interactivo, do mesmo modo que é produtor de cultura pressupõe uma cultura de que parte e com a qual dialoga. Pressupõe uma tradição em que se inscreve e essa tradição, no que toca à filosofia, é, simultaneamente, portuguesa e universal, ou seja, nele se cruza e se reflecte uma multiplicidade de elementos que configuram como único e irrepetível o seu modo de pensar. A síntese é, de facto, pessoal.
 
O PROJECTO FILOSÓFICO
 
A tese de que partimos é a seguinte: mediante o seu vulto de filósofo é possível compreendermos o seu sentido de cultura e de homem, mas para demonstrarmos esta tese hâ que dar conta da sua formação filosófica. A sua obra é o fruto de uma dupla influência: por um lado, temos o ascendente de Leonardo Coimbra que, como ele próprio revela, era um professor fascinante, o único que, de certo modo, conseguiu formar escola, a Escola do Porto. Nesse sentido, Delfim Santos partilha com José Marinho, Sant'Ana Dionísio, Álvaro Ribeiro, Agostinho da Silva, o privilégio de ter sido seu discípulo; por outro lado, há que ter em conta a sua formação proveniente do contacto estreito que estabeleceu com a Escola Alemã, com especial relevo para a escola fenomenológica e a sua adesão à corrente existencial.
Temos, portanto, quanto à sua formação, um entrosar destas duas influências, numa síntese pessoal e original de que não está ausente um outro elemento, ou seja, o contacto aturado com os filósofos gregos, Platão, sobretudo Aristôteles. E o momento da sua apropriação do passado, numa recriação do que é a filosofia.
Contudo, se olharmos para a sua obra, de um modo geral, podemos detectar uma influência fundamental - a de Leonardo Coimbra. De facto, esta influência manteve-se viva ao longo da sua obra e não apenas nos seus escritos de juventude, António Braz Teixeira faz, precisamente uma referência a este aspecto considerando-o mais «tributâno» de Leonardo Coimbra que dos alemães (28)
O homem como pessoa, dotado de liberdade como momento de auto­realização humana, é a evidência a que conduz o filosofar. Esta tese é partilhada por ambos e desenvolvida a partir da matriz existencial. Ambos dão, de facto, uma enorme relevância à existência enquanto passível de uma meditação, como um «terreno a explorar», na metáfora de Gabriel Marcel. Porém, e isto é que é relevante, esta sua atenção e preocupação relativamente aos temas da existência é anterior à sua ida para Viena e Berlim, onde por imposição do ambiente filosófico português da altura é obrigado a estudar o neopositivismo lógico. Portanto, quando procura, quer no ambiente vienense, quer no berlinense, o contacto com as correntes fenomenológica e existencial, a sua apetência por estas problemáticas já tinha sido, anteriormente, despertada. Trata-se, agora, de a aprofundar.
A sua tematização da filosofia existencial, por via do aprofundamento pessoal que faz, é diferente da posição de Leonardo Coimbra - já que as preocupações da época em que viveu são outras. O aspecto existencial da obra leonardina, muito presente em «A Alegria, a Dor e a Graça» está mais próximo da meditação de Gabriel Marcel. Delfim Santos está mais perto de Albert Camus, Jean Paul Sartre e sobretudo de Martin Heidegger.
Se assim é, então, podemos considerar que à partida a sua escolha estava feita, a sua decisão já tinha sido tomada e o contacto na Alemanha com as correntes fenomenológica e existencial surge como o aprofundar da sua intuição. Em meu entender, é este o modo como devemos compreender a influência que filósofos como E. Husserl, N. Hartmann, M. Heidegger ou K. Jaspers exerceram sobre o seu pensamento. E isto não significa minimizar a influência que estes autores tiveram na sua formação, mas antes visa situá-los, atribuindo-Ihes uma influência mediatizada pelo ascendente, esse sim ao nível da imediatez, de Leonardo Coimbra, seu mestre, que Ihe comunicou aquilo que faz de um homem um filósofo, ou seja, a inquietação metafísica.
 
O EXEMPLO
 
À maneira de conclusão, procuremos em registo delfiniano, não uma resposta, mas algumas pistas, refazendo o seu itinerário filosófico, a partir de um comentário a algumas das suas obras mais significativas.
«SITUAÇÀO VALORATIVA DO POSITIVISMO» - enquanto meditação que nos aponta as virtualidades e os limites do neopositivismo, constitui-se como uma denúncia vigorosa contra a possibilidade de a filosofia se deixar modelar e colonizar pela ciência, sob pena de se anular a Si mesma. Esta sua atitude anti-positivista, na esteira das críticas de Antero, Sampaio e Leonardo Coimbra, foi-lhe muito incómoda, devido ao pendor claramente positivista da época. O tempo se encarregaria de dar razão a Delfim Santos, que numa atitude sábia e esclarecida vem ao encontro daquilo que é o próprio da actividade filosófica. Redigida em 1938 esta obra procura assegurar um estatuto próprio para a filosofia, encontrar o seu espaço próprio.
Atitude ainda actual e fecunda que vem ao encontro de uma obra de 1990, de Julien Freund, intitulada «La Philosophie Philosophique» (29), onde por via diferente da de Delfim Santos, este filósofo defende o estatuto autónomo da filosofia frente à ciência e a sua não subserviência relativamente a modelos importados dela.
Talvez que o traço que une os nossos pensadores contemporâneos, mais interessantes filosoficamente, seja essa recusa do positivismo, considerado já por Antero de Quental como não-filosófico: «O positivismo, como quase todas as coisas banais, e particularmente as banalidades francesas, parece Claro, simples e capaz de explicar tudo: não pede além disso esforço algum de inteligência para ser compreendido: é finalmente cómodo, como todos os dogmatismos: estes defeitos são a causa do momentâneo favor que encontra em espíritos por um lado frouxos e sem a menor preparação filosófica (...)»(30)
Em nome da filosofia e da inquietação metafísica Delfim Santos é um dos autores «decisivos» (31) na sua recusa de um modelo positivista para a filosofia.
«DA FILOSOFIA» - é esta obra que nos dá em filigrana o essencial da sua aproximação filosófica. Nela distingue filosofia e ciência, apontando para a dimensão existencial como conhecimento do «sendo», tradução portuguesa do «Dasein» heideggeriano. Reflexão em que a questão antropológica é esclarecida pela luz ontológica. Aqui se reconhece que a filosofia topa, no seu caminho, com perplexidades e aporias e que não é possível uma sistemática da existência.
Será que nesta obra não está presente, exactamente, aquilo que filosoficamente é fecundo, ou seja, o carácter interpelativo da filosofia, o seu questionar que não repousa em «soluções», ou em falsas respostas acabadas?
«CONHECIMENTO E REALIDADE» - para além de ser a sua obra de doutoramento, marco sempre significativo na carreira académica de um professor universitário, não será esta uma obra fundamental pela preocupação de rigorosa dilucidação crítica dos conceitos que utiliza, bem como pelo conhecimento que revela do pensamento de N. Hartmann, caldeado pelas suas próprias preocupações filosôficas?
«FUNDAMENTAÇÀO EXISTENCIAL DA FILOSOFIA» - reflexão plena de actualidade, que antecipou, claramente, certas correntes pedagógicas, que se aproxima da proposta de KarI Rogers, pedagogo famoso e reconhecido hoje, pelo papel que atribui à experiência pessoal e à criatividade na pedagogia, com vista a permitir o desenvolvimento harmonioso de um ser, em respeito por aquilo que ele é. Também Delfim Santos nos apresenta uma pedagogia de base existencial, valorizando a criatividade e a experiência pessoal, de modo a permitir a formação de personalidades autónomas. E que o mestre, o pedagogo, apenas orienta, desperta, inicia, não modela, não constrange. Socraticamente, ajuda a desenvolver virtualidades e potencialidades. E este, em meu entender, o sentido da sua célebre máxima: «(...) o autêntico filósofo não é aquele que se compraz em fazer discípulos, mas em fazer cada um discípulo de Si próprio»
No seu pensamento denota-se, com efeito, uma real atenção ao homem. Porém, esta preocupação pelo homem, em termos teoréticos, que Ihe permite tematizar o «sendo», o «ser-em-situaçâo», é verificada em termos existenciais, concretos, vividos no quotidiano de professor, colega ou amigo, numa espécie de acordo entre pensar e agir, entre a teoria e a sua verificação nas obras.
Eu, que de Delfim Santos apenas conheço a obra escrita que nos deixou, bem como o testemunho também escrito dos seus colegas, amigos ou alunos, encontrei, sob a forma da confidência, no testemunho de Maria de Lourdes Flor de Oliveira<33), esse traço do seu carácter que articula filosofia e vida, mediante a atenção ao outro, ao meu semelhante, Atenção às quase inefáveis tonalidades da alma do outro, captáveis apenas por quem de sensibilidade aguçada não se deva apenas guiar por uma razão abstracta, muitas vezes destrutiva na sua impessoalidade, mas lendo a situação agia em conformidade com esta, numa atitude de respeito para com o outro, entendido na sua integridade, realizando, então, de modo concreto, nas suas acções, aquilo que teoricamente tinha tematizado.
Na filosofia existencial o homem é mais importante que uma ideia, se há que optar é o homem o critério de valor e não a ideia. Ser capaz de passar desta teorização ao acto que a verifica é, em meu entender, dar, concretamente e existencialmente, um «sentido à existência». Se assim é, então, a lição dos textos enraíza-se no exemplo da vida.

Conferência proferida na Escola Delfim Santos
Lisboa, 26 de Fevereiro de 1991
 
Maria de Lourdes Sirgado Ganho
Faculdade de Ciências Humanas

 

NOTAS

 1971; Vol. 11,1973; Vol. 111,1977 (as referências relativamente a esta obra, ao longo do texto, far­-se-âo do seguinte modo: i, e iii dizem respeito ao numero de volumes, a numeração árabe diz respeito às paginas).
(2) , 502.
3> "Não obstante ter veiculado, no nosso meio intelectual, através da sua elaboração especulativa e docência, um renovado surto de interesse pelas correntes germânicas, em
Delfim Santos dá-se o ponto de encontro entre a filosofia contemporânea e o pensamento português>~: Francisco da Gama Caeiro, Da Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, Lisboa, Universidade Clássica de Lisboa, 1983, 32.
4> i, 264.
(5) Cf. i, 376.
(6> Cf. José Marinho, A ontofenomenologia em Delfim Santos, "Estudos sobre o Pensa­mento Português Contemporâneo, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981, il 9-123.
(7) , 253.
(8> As referências que aqui apresentamos, relativamente a Actividade Académica, foram, em grande parte recolhidas do Curriculum vitae de Delfim Pinto dos Santos, Lisboa, Gráfica Casa Portuguesa, 1949, 31 p.
(9> Joel Serrâo, Lembrança de Delfim Santos, in Da Filosofia, Lisboa, Liv. Horizonte, s.d., 7-12.
(10>idem, Ibidem, 9.
(11>
(12)
(13>
Refere Francisco da Gama Caeiro, Da filosofia na Faculdade de Letras, Lisboa, Universidade Clássica de Lisboa, 1983, 31: "Delfim Santos, discípulo e admirador de Leonardo, foi um pensador de têmpera e vocação filosóficas, que os fados não quiseram tivesse cabimento na secção de Filosofia, devendo, durante toda a carreira docente, ensinar na Secção de Ciências Pedagógicas as disciplinas de Pedagogia e Didáctica, de "História da Educação e de "Psicologia Escolar
III, p. 399.
Joel SERRÂO, na introdução as Obras Completas, apresenta os critérios que presidiram a organização dos diferentes tomos.
(14> Cf. Curriculum vitae de Delfim Pinto dos Santos, Lisboa, Gráfica Casa Portuguesa, 1949,31 p.
(151 António QUADROS, Delfim Santos. lntroduçâo ao pensamento filosófico e pedagógico, "Leonardo, 11,1989, p. 22-28.
(16> Cf. José MARINHO, Estudos sobre o pensamento português contemporânea, Lisboa,
Biblioteca Nacional, 1981, p. 113. Cf. também, Francisco da Gama CAEIRO, Da Filosofia
na Faculdade de Letras de Lisboa, Lisboa, Universidade Clássica de Lisboa, 1983,
p. 32.
(17> ii, p. 403.
 
(18> José MARINHO, Op. Cit., p. 116.
(19> Cf. iii, p. 191.
18
(27)
(28)
VERBO. Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Lisboa, Ed. Verbo, 1967, vol. vi, col. 579.
Cf. iii, p. 356.
Cf. iii, p. 408.
Cf. iii, p. 408.
Cf. i, p. 239.
Cf. José MARINHO, Op. Cit., p. 9. Cf. i, p. 125.
(20) Cf. iii, p. 191.
(21)
(22)
(23)
(24)
( 25)
(26)
(29)
(30)
Cf. António Braz TEIXEIRA, Aproximação ao pensamento filosófico de Delfim Santos, Espiral, Lisboa, 3, 1966, p. 58.
Cf. Julien FREUND, La philosophie philosophique, Paris, La Découverte, 1990.
Cf. Antero de QUENTAL, Carta a Domingos Tarroso, in Antero de Quental, Lisboa,
Verbo, 1990, p. 95.
(31) Partindo da sugestão de José Marinho, em que este filósofo faz uma referência aos pensadores portugueses resistentes" ao positivismo, distinguindo-os dos decisivos para o superar, tomamos a liberdade de acrescentar o nome de Delfim Santos ao de Leonardo Coimbra e de Sampaio Bruno, como sendo também um dos decisivos" na superação do positivismo. Nesse sentido, Cf. José MARINHO, verdade, condição e destino no pensamento português contemporâneo, Porto, Lello, 1976, p. 146.
(32) ~, p. 502.
(33) Cf. Maria de Lourdes Flor de OLIVEIRA, Professor Doutor Delfim Santos. In Memoriam. O